Há um pouco mais de três meses venho praticando Karatê, ainda quinzenalmente. Embora seja um esporte coletivo, nele o foco é o auto e alto desempenho, e tenho refletido muito sobre isso.

Tem dias em que saio bem do treino, mas outros saio devastada com meu próprio desenvolvimento, por conta da alta cobrança que faço a mim mesma.

No Karatê, a postura é essencial, não apenas na forma como nos colocamos diante do outro, mas também na maneira como cuidamos de nós mesmos.

É importante manter o Dogi (o uniforme) alinhado, o corpo firme, o olhar atento. Porque, diante do confronto, olhar para si e para o outro é fundamental.

Num dos sábado, durante a aula, o Sensei (Morita) fez, como sempre, uma reflexão ao final. Enquanto eu tentava manter a postura e me concentrar no cumprimento final, minha atenção se dividia entre o gesto e as palavras do jovem Sensei.

Ele falou sobre ORDEM e CAOS. Disse que, no momento do confronto, há o caos, mas, ao final, é preciso restabelecer a ordem — e junto com ela, o respeito, inclusive, por aquela pessoa com quem acabou de combater.

E quando levo essa reflexão para fora do dojo, percebo que ainda erro mais do que acerto, especialmente na forma como me comunico nas relações.

Assim como no [Heian Shodan], erro muito nas transições de movimento e minha base ainda não está fortalecida. Mas talvez seja justamente aí que mora o aprendizado: reconhecer o caos, encontrar um certo equilíbrio e continuar tentando alinhar corpo, mente e palavra.

A vida, assim como o Karatê, é feita desses confrontos. Estamos sempre em confronto, com a vida, com os outros, e muitas vezes com nós mesmos.

É um caos constante. Mas precisamos lembrar como retornar à ordem: alinhar pensamentos, ajustar expectativas e, sobretudo, cuidar da nossa postura e do respeito pelo outro.
Independente do caos que causamos — ou do que causaram em nós —, é nesse movimento de voltar à ordem que seguimos crescendo.